Redução da jornada pode criar 4,5 milhões de empregos, aponta estudo

A redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais poderia criar até 4,5 milhões de empregos no país, segundo levantamento coordenado pela professora Marilane Teixeira, pesquisadora do Instituto de Economia da Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas.

O estudo ainda indica que a mudança da jornada máxima de trabalho poderia aumentar a produtividade em 4%. O levantamento utiliza a mesma base de dados de projeções de entidades empresariais que afirmam que a mudança poderia levar à queda do PIB, o Produto Interno Bruto, mas chega a conclusões opostas. Marilane Teixeira reforça que o aumento dos postos de trabalho garantiria um maior estímulo da economia.

Você gera mais ou menos em torno de 4 milhões, 4,5 milhões de postos de trabalho, que dinamiza a economia de uma forma geral, porque você garante renda disponível para estas 4,5 milhões de pessoas que vão injetar essa renda na economia e vão justamente estimular esses setores econômicos, seja comércio, seja serviços, entretenimento, cultura, lazer. Ou seja, a geração de emprego ela retorna para a economia na forma de um aquecimento da atividade econômica por meio da renda disponível“.

Segundo dados do IBGE, 21 milhões de trabalhadores cumprem jornada superiores a 44 horas semanais no Brasil. Além disso, 76% de todos os trabalhadores têm jornada acima de 40 horas semanais e poderiam ser beneficiados com a redução para 36 horas de jornada. Para a economista, o brasileiro está entre os que mais trabalham no mundo.

A pesquisa indica que 15 milhões de trabalhadores desempregados, desalentados e subocupados poderiam ainda se beneficiar da redução da jornada, como explica a professora Marilane Teixeira.

Então tu junta 6 milhões de desempregados, mais 5 milhões que estão na força de trabalho potencial, mais 4,5 milhões que estão subocupados. Só aqui, você já tem 15.000.813, então não tem problema de que faltaria força de trabalho para compensar a redução da jornada de trabalho“.

O estudo também indica que a sobrecarga de trabalho é um problema para o país. Só em 2024, 500 mil pessoas com carteira assinada foram afastadas por doenças psicossociais decorrentes de condições de trabalho. Para a pesquisadora, uma redução da jornada também contribuiria para evitar o afastamento de empregados pelo INSS.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, já reforçou que a redução da jornada deve ser votada ainda neste semestre com a criação de uma comissão especial. O governo federal afirma que o tema é uma das prioridades do ano.

Colaboração da Agencia Brasil

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