Especialistas defendem a ampliação do tratamento da obesidade no SUS

No Rio de Janeiro, o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE) promoveu, nesta terça-feira (24), uma feira especial em alusão ao Dia Mundial da Obesidade, celebrado neste mês

A programação incluiu a participação de uma equipe multiprofissional, com oficinas educativas, avaliações gratuitas de composição corporal e exames de elastografia hepática. Além disso, atividades físicas orientadas e brindes.

A iniciativa reforça a importância da campanha nacional “Acesso Já”, que defende a ampliação do tratamento completo da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e diretora técnica do IEDE, Karen de Marca, reforça que o combate à obesidade vai além da estética: é uma questão prioritária de saúde pública.

A gente tem o mês de março como o de conscientização da obesidade, é o mês roxo. A gente precisa eliminar o estigma da obesidade e orientar sobre prevenção, tratamento e os cuidados que envolvem uma pessoa com obesidade. A obesidade está relacionada a mais de 200 tipos de doenças, as principais são diabetes tipo 2, hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, doença gordurosa do fígado, inclusive, o risco de câncer fica muito aumentado em razão da obesidade. Portanto, para o tratamento é muito importante ter uma equipe multiprofissional”.

A obesidade é uma doença crônica que exige cuidado contínuo e acesso a terapias baseadas em evidências. Coordenadora da equipe de obesidade e transtorno alimentar do IEDE, a psiquiatra Silvia Regina de Freitas avalia que o tratamento da obesidade ganha eficácia ao integrar a saúde mental — especialmente em casos de transtornos alimentares associados.

O transtorno da compulsão alimentar, dentre os transtornos alimentares, tem uma prevalência muito alta na população com obesidade. Precisamos estar atentos, porque se a gente não tratar do ponto de vista psiquiátrico, esse paciente com obesidade e com esse transtorno alimentar não vai ter sucesso no tratamento da obesidade”.

A endocrinologista pediátrica do IEDE, Latife Salomão, defende que é preciso combater a obesidade desde a infância, pois à medida que se aproxima da adolescência, esse processo se torna cada vez mais complexo.

A prevenção é o mais importante. O que a gente sempre fala é que a obesidade do adulto vem da criança. 15% das crianças até dois anos já com obesidade vão se tornar adultos obesos, com 5 anos de idade, 20%, e cada vez vai aumentando mais. Aos 10 anos, se ela chegou com obesidade, a chance é 80%, de ela se tornar uma adulta obesa”.

Dados do Atlas Mundial da Obesidade divulgados neste ano revelam que, no Brasil, mais de 6 milhões de crianças com idades entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso ou obesidade. O número salta para 16,5 milhões se englobados crianças e adolescentes de 5 a 19 anos.

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