Com MP do piso mínimo do frete, caminhoneiros descartam greve

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira que o governo vai mobilizar a base parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado Federal para manter a medida provisória que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete de cargas.

A norma foi publicada na última quinta-feira e fixa valores obrigatórios com o objetivo de garantir a viabilidade econômica da atividade dos caminhoneiros.

A declaração do ministro Guilherme Boulos ocorreu após uma reunião com representantes do setor de transportes e com o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Segundo o ministro, os caminhoneiros tomaram a decisão de não fazer greve neste momento porque foram atendidos por essa medida provisória do governo, que contempla uma pauta antiga em discussão desde 2018.

A pauta deles do piso mínimo não foi atendida. E por isso o presidente Lula definiu soltar a medida provisória para garantir o atendimento do piso mínimo do frete, que é um direito, é lei. Não é a opção de uma transportadora, de uma grande empresa pagar ou não o piso mínimo para o caminhoneiro.

Segundo Boulos, o governo vai endurecer a fiscalização. Caso as empresas descumpram a regra do piso do frete, poderão ser punidas, inclusive, com a perda do registro de operação. O novo modelo estabelece sanções progressivas, ampliando o alcance da responsabilização, e com multas que podem atingir 10 milhões de reais.

Nós vimos o aumento do diesel de maneira despropositada nos últimos dias por especulação de distribuidoras e postos de gasolina. Os caminhoneiros não podem pagar o preço da irresponsabilidade e da ganância dessas distribuidoras que estão aumentando o preço artificialmente […] Já foram mais de mil operações da força-tarefa nos postos de gasolina e distribuidoras,”.

O ministro também disse que os caminhoneiros não devem pagar o preço pela omissão de governadores que recusaram a proposta do governo federal de reduzir o ICMS sobre combustíveis.

Para representantes da categoria dos caminhoneiros, o avanço nas negociações com o governo federal foi decisivo para evitar a paralisação. Eles prometeram cobrar os parlamentares em Brasília para que mantenham a medida provisória que endurece a fiscalização do piso mínimo de frete. Como explica o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista e Vale do Ribeira, Luciano Santos.

O piso mínimo de frete é esse que traz dignidade para os caminhoneiros e que vem sendo tratado desde 2018. Ganhamos e não levamos. Agora o governo entendeu, nos abriu as portas.O piso mínimo ao ver de todos os sindicatos e de todos os caminhoneiros do Brasil autônomos é vida, salva vidas, é qualidade de vida, então a gente vai lutar por isso.

Apesar de já estar em vigor, a medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias.

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