Urna eletrônica completa 30 anos com evento no TSE
A urna eletrônica completa 30 anos neste mês e, em comemoração à data, o Tribunal Superior Eleitoral realiza um evento aberto ao público na tarde desta segunda-feira.
Um marco da tecnologia eleitoral, o equipamento tornou a apuração de votos mais rápida, além de garantir mais segurança nas eleições.
Cerca de 32 milhões de brasileiros votaram em urna eletrônica pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, quando a tecnologia foi implementada em todas as capitais e nas cidades com mais de 200 mil eleitores.
Embora a urna eletrônica tenha 30 anos, seu uso já era previsto no Código Eleitoral de 1932, ou seja, há quase cem anos, a máquina de votar era citada no documento.
O matemático Giuseppe Dutra Janino é um dos cinco responsáveis pela criação da urna eletrônica no país. Ele conta que o processo de voto impresso, com cédulas de papel, dependia da intervenção humana, num processo lento e passível de erros, o que gerava desconfiança de fraudes. Giuseppe explica que, em 30 anos, não existe um caso de fraude comprovada em urna eletrônica.
“Apesar de várias suspeitas e todas as suspeitas são avaliadas, investigadas por instituições independentes e competentes, como Polícia Federal e Ministério tudo. Diante disso, a urna eletrônica tem muitos adversários e tem ali, digamos assim, objetivos escusos e muitas vezes até explícitos, como a desestabilização do processo democrático brasileiro”.
A urna eletrônica já teve 14 modelos, atualizados com sistemas desenvolvidos pela equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral. Giuseppe Dutra Janino conta que, um ano antes de cada eleição, instituições como universidades, Polícia Federal e partidos políticos, analisam o programa que será utilizado e, após a aprovação, uma cópia lacrada é guardada no cofre do TSE e as demais são enviadas para os tribunais regionais de cada estado.
No momento em que o eleitor aperta a tecla confirma, o voto é guardado de forma aleatória numa tabela chamada registro digital do voto, que não identifica quem votou. Ao final da votação, o mesário digita uma senha e o programa da urna faz a contagem dos votos, que são impressos no boletim de urnas e o resultado já fica acessível a todos. Giuseppe Dutra Janino ressalta a segurança do processo, que não tem comunicação com a internet :
“Existem vários e vários pontos de verificação, de checagem, de auditorias possíveis e de acompanhamento inclusive e popular para que se verifique e lhe garanta a integridade e a transparência dos votos. […] A urna eletrônica em si, ela contém mais de 30 barreiras digitais que se, por exemplo, um hacker, ele não consegue acessar pela internet por nenhum meio de comunicação. Se ele pegar fisicamente a urna, ele precisa ultrapassar ainda 30 barreiras digitais para tentar alcançar o seu objetivo.
A urna eletrônica brasileira é reconhecida no mundo, mas costuma ser alvo de fake news, que aumentam em período eleitoral. Buscar informações em fontes confiáveis é fundamental para reconhecer narrativas falsas.









